segunda-feira, 14 de março de 2011

A história de Safiya

com a preciosa colaboração da irmã DANA , a história de Safiya

quem foi SAFIYA ?




Safiya bint Abdul Muttalib


A primeira muçulmana a matar um inimigo em defesa de outros muçulmanos.
O personagem (feminino) deste capítulo foi uma mulher extraordinária. Ela era dotada de tão fina mente e julgamento refinado, que os homens do seu tempo tomavam-na, todos, com seriedade, fossem eles amigos ou inimigos. Era intrepidamente corajosa, sendo a primeira mulher da comunidade muçulmana a matar um pagão na defesa de outros. Em adição, ela criou o primeiro guerreiro, na comunidade, a levantar uma espada pela causa do jihad
.
Seu nome era Safiya b. Abdul Muttalib, procedente do clã dos Banu Háchim, e um membro da tribo Coraix. Além disso, era a tia paterna do Mensageiro de Deus (SAAS). Todos os seus laços familiares eram de origem nobre. Seu pai foi o Abdul Muttalib, avô do Profeta (SAAS) e indiscutível líder e chefe do Coraix. Sua mãe era a Halah b. Wahab, irmã da Amina b. Wahab, mãe do Profeta (SAAS). Seu primeiro marido foi Al Haris b. Harb, pai do Abu Sufyan b. Haris, chefe do clã dos Banu Umaiya. Ele morreu, deixando-a viúva.

Ela se casou de novo, dessa vez com Al Auwam b. Khuwailid, irmão da Khadija b. Khuwailid, que se tornara a mais respeitada das damas árabes antes da chegada do Islam, e a primeira das Mães do Crédulos, no tempo do Islam.

Tal personagem foi a mãe de Al Zubair b. al Auwam, um dos mais íntimos dos discípulos do Mensageiro de Deus. A única nobreza que alguém poderia esperar, que ultrapassasse tais ilustres conexões, era a nobreza de ser uma crédula.

Ela ficou novamente viúva, quando o seu marido, Al Auwam, morreu, deixando-lhe o filho deles, Al Zubair, que era ainda uma criança novinha. Ela acostumou o menino a uma vida de simplicidade espartana, pois estava a educá-lo para se tornar um guerreiro cavalariano. Como entretenimento para ele, ela o treinava a aguçar pontas de setas, e a fixar arcos. Ela habituou-se a incitá-lo a encarar situações que outros iriam achar aterrorizantes ou perigosas. Se visse que ele hesitava ou ficava com medo, ela o espancava vigorosamente.

Numa dessas ocasiões, um dos tios do menino a reprovou por tal severo tratamento, dizendo-lhe que u'a mãe amantíssima não tratava o seu filho com tanto ódio. Ela respondeu poeticamente, dizendo:

"Quem diz que eu bato nele por ódio mente,
"Pois bato nele para que fique mais ciente,
"E derrote os inimigos, obtendo vitória decente!"

Era chegado o tempo em que Deus deu a missão da profecia ao Seu Mensageiro (SAAS), e o encarregou da tarefa de admoestar o povo quanto ao Dia do Julgamento, e de dar as boas-novas das recompensas aos de conduta reta. Deus ordenou ao Profeta (SAAS) que começasse sua missão por convidar os seus parentes a se juntarem à fé. Então ele reuniu todos aqueles relacionados a ele, da parte do seu avô, Abdul Muttalib, homens e mulheres, velhos e jovens; ele pôs-se no meio deles e se dirigiu a eles, dizendo:

"Ó Fátima, filha de Abdul Muttalib, ó Safiya, filha de Abdul Muttalib, todos vós, filhos de Abdul Muttalib, ouvi-me! Não sou possuidor de nenhuma virtude específica que possa proteger os meus parentes do julgamento de Deus." Então ele os convidou a aceitarem a crença em Deus, e a acreditarem na missão dele. Alguns deles foram recptivos quanto à divina luz da diretriz, enquanto outros viraram as costas. A Safiya b. Abdul Muttalib foi a primeira das crédulas a aceitar a fé, desse modo tornando completo o seu ilustre passado.

Ao seu lado, quando ela se juntou à hoste pura e brilhante dos crédulos, estava o seu filho, Al Zubair. Juntamente com outros recém-convertidos ao Islam, ela sofreu as atribulações das perseguições por parte dos coraixitas. Quando Deus ordenou ao Seu Profeta (SAAS) que anunciasse a decisão de mudar a comunidade muçulmana, de Makka para Madina, a Safiya não se reprimiu. A nobre dama do clã dos Banu Háchim deixou para trás, em Makka, todas as suas memórias felizes, todo seu orgulho tribal, o seu alto nível social. Sem se lamentar, ela se pôs a caminho de Madina, emigrando, sem nada de seu, a não ser a sua religião, em obediência a Deus e ao Seu Mensageiro (SAAS).

Embora essa grande dama, que viveu uma vida longa e plena de eventos, tivesse quase sessenta anos de idade, comportava-se, no jihad, duma maneira que que ainda pAsmá os historiadores, que nunca se cansam de recontar as corajosas ações dela. Passaremos a contar dois dos eventos que tiveram lugar: um, durante a batalha de Uhud, e outro, durante a Batalha da Trincheira.

Na batalha de Uhud, um considerável número de muçulmanas saiu em jihad com os homens, para o bem da sua religião. A Safiya era uma delas; ela carregava água, levando-a até ao campo de batalha, para os que tinham sede, aguçava as setas e consertava os arcos. Em adição, ela tinha outra intenção, pois queria seguir a evolução da batalha. Todo o seu coração estava naquilo, coisa que não era de todo estranha, porquanto na batalha estavam o seu sobrinho, o Mensageiro de Deus (SAAS), seu irmão, o Hamza b. Abdul Muttalib – o leão de Deus –, e o seu filho Al Zubair b. al Auwam, o discípulo do Mensageiro de Deus (SAAS). Além do mais, a batalha em si representava o destino e futuro do Islam. Isto era o que a preocupava: o destino da religião que havia espontaneamente abraçado, pela qual deixara o seu lar, e por meio da qual esperava trilhar o caminho para o Paraíso.

Ela via os muçulmanos se apartarem do Mensageiro de Deus (SAAS), excepto por alguns que permaneciam. Quando ela viu que os pagãos estavam avançando e que logo iriam alcançar o Profeta (SAAS), pôs de lado a pele com água, pulou para a frente feito uma leoa a defender os filhotes, pegou uma lança de um dos desertores do chão, e se colocou, altiva, entre o bando de desertores, censurando-os e berrando para eles:

"Tomara que pereçais! Vós abandonastes o Mensageiro de Deus!"

Quando o Profeta (SAAS) viu que ela se aproximava, temeu que ela pudesse ver o irmão dela, o Hamza, jazendo no campo, morto e cruelmente mutilado pelos pagãos, ele fez sinal para Al Zubair, e disse:

"Ela está vindo, ó Zubair, toma cuidado!"
Al Zubair foi ao encontro dela, e disse:
"Volta, mãe, volta!"
"Sai do meu caminho, hoje não tens mãe!" foi a resposta.
"O Mensageiro de Deus ordena que voltes", protestou Al Zubair.
"Por que?" ela perguntou. "Já ouvi dizer que o meu irmão Hamza foi mutilado, e sei que ele morreu lutando pela causa de Deus."

Quando o Profeta ouviu aquilo, disse para Al Zubair não tentar manter a mãe fora do campo.

Depois que a batalha terminou, a Safiya encontrou o corpo do seu irmão Hamza. Seu estômago havia sido aberto, seu fígado arrancado, seu nariz e suas orelhas decepados, todo o seu rosto desfigurado. Ela orou a Deus, pedindo que o perdoasse, ao dizer:

"Isto aconteceu pela causa de Deus. Eu aceito o que Deus decreta. Juro por Deus que serei paciente, na expectativa da recompensa a ele!"

Esse foi um exemplo da coragem de Safiya, na batalha de Uhud. Suas ações da Batalha da Trincheira formaram uma dramática tapeçaria emplumada, tecida com tramas de intrepidez, determinação, astúcia e estratégia. Trata-se de uma estória cujo desenrolar os historiadores nunca se cansam de contar.

Quando o Profeta (SAAS) fazia planos para qualquer expedição militar, era seu costume colocar todas as mulheres e crianças numa fortaleza, pois Madina corria o risco de ser atacada pelo inimigo, na ausência dos seus defensores. Chagada a hora da Batalha da Trincheira, Ele ele pôs a sua domesticidade, sua tia, e um considerável número de outras muçulmanas numa fortaleza que pertencia ao Hassan b. Sábit. Este a tinha herdado, sendo que era a mais alta e mais bem fortificada fortaleza de Madina.

Então os muçulmanos se ocuparam da batalha, estacionando em torno da borda interna da Trincheira, preparando-se para combater o inimigo. Suas esposas e seus dependentes estavam tão longe, quanto podiam, das mentes dos seus defensores.

Pela madrugada, a Safiya b. Abdul Muttalib divisou uma sombra a esgueirar-se na escuridão da manhazinha. Ele observava cuidadosamente, ouvindo, e sem fazer barulho. Parecia que um espião inimigo se aproximava. Ele engatinhava em volta da cerca da paliçada, tentando certificar-se de quem estava do lado de dentro. Safiya notou que se tratava de um judeu que havia sido enviado pelo seu povo para verificar se havia homens na fortaleza a defender as mulheres e as crianças que ali buscavam refúgio.

"Eis que os judeus dos Banu Curaiza estão a violar o tratado que fizeram com o Profeta (SAAS)", murmurou a Safiya consigo mesma. "Eles estão a dar ajuda aos coraixitas e seus aliados, e não há muculmanos aqui para nos proteger. O Profeta e seus apoiadores estão no fronte, defrontando-se com o inimigo. Se esse inimigo de Deus conseguir informar o seu povo da nossa situação, os judeus nos irão atacar, e nos levar embora e nos tornar escravas, isso irá tornar-se um grande desastre para os muçulmanos."

Ela pegou um xale e o amarrou firmemente à cabeça, e apertou o seu manto à cintura, para que sua roupagem não ficasse a esvoaçar; depois apanhou uma sovela (furador) das grandes e a afirmou ao ombro. Lenta e cautelosamente, ela abriu um pouco o portão da fortaleza e ficou atrás dele, esperando e observando. Quando ela se certificou de que o inimigo estava a uma distância razoável, ela pulou para a frente com a velocidade de um raio, arremessando a sovela contra a cabeça dele, com toda força. Ele caiu ao solo, e ela o golpeou repetidamente, eté estar certa de que o havia matado.

Depois ela pegou uma faquinha que carregava consigo, e começou o horripilante serviço de lhe decepar a cabeça. Quando terminou, ela arremessou a cabeça por sobre a muralha da fortaleza, sendo que esta rolou morro abaixo para onde estava o inimigo a esperar pela volta do seu espião. Ao verem a cabeça do amigo, disseram:
"Deveríamos saber que Mohammad não iria deixar as mulheres e as crianças sem ninguém para as defender", e foram embora, deixando ilesa a fortaleza.

Que Deus esteja aprazido com a Sufiyah b. Abdul Muttalib. Ela foi um modelo singular de mulher muçulmana. Ela criou o seu filho único da mais adequada maneira. Pacientemente suportou a perda do seu amado irmão. Foi testada pelos e entesada quanto aos eventos, provando ser intrépida, determinada e inteligente. Assim, ela é lembrada pela história como sendo a primeira muçulmana a matar um inimigo, em batalha.


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"Ó fiéis, atendei a Allah e ao Mensageiro, quando ele vos convocar à salvação. E sabei que Allah intercede entre o homem e o seu coração, e que sereis congregados ante Ele." 8:24

Salam,

Omar Hallak

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